<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655</id><updated>2011-11-16T14:26:51.850-08:00</updated><category term='Becket'/><category term='oriente médio'/><category term='crise de paradigma'/><category term='sistema'/><category term='Palavra (en)cantada'/><category term='identidade'/><category term='poesia'/><category term='Carmen Miranda'/><category term='cinema'/><category term='tropicalismo'/><category term='prosa'/><category term='Helena Soldberg'/><title type='text'>Tropicália em branco e preto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-7690192476093158276</id><published>2011-11-16T14:25:00.000-08:00</published><updated>2011-11-16T14:26:51.883-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-2p3nC7MqJXM/TsQ4jhG78cI/AAAAAAAAAJI/5Igd1ptGzDg/s1600/convite_lan%25C3%25A7amento.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 200px; height: 134px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-2p3nC7MqJXM/TsQ4jhG78cI/AAAAAAAAAJI/5Igd1ptGzDg/s200/convite_lan%25C3%25A7amento.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675723613227708866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-7690192476093158276?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/7690192476093158276/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2011/11/blog-post.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/7690192476093158276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/7690192476093158276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2011/11/blog-post.html' title=''/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2p3nC7MqJXM/TsQ4jhG78cI/AAAAAAAAAJI/5Igd1ptGzDg/s72-c/convite_lan%25C3%25A7amento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-4077902220627861652</id><published>2011-10-29T18:49:00.000-07:00</published><updated>2011-10-29T18:50:30.338-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>Café da manhã em 1902</title><content type='html'>Meu bisavô andava pra lá e pra cá dentro de casa, roendo as unhas. Era um andar pesado, de quem sente uma dor que não compreende. E, quando se sente uma dor assim, é como se nada coubesse em si, de forma que embora andasse pra lá e pra cá, meu bisavô não se achasse fazendo isso. (Era mais como se sentisse que seus passos fossem a causa ou a consequência de algo maior do que eles mesmos).&lt;br /&gt;Enquanto isso, minha bisavó, sua mulher, fritava ovos e esquentava o leite na chaleira. (Era um fritar ovos de quem apenas frita ovos. E um esquentar leite de quem apenas esquenta leite).&lt;br /&gt;Meu bisavô, enquanto andava como quem não anda e olhava para minha bisavó fritando ovos como quem frita ovos, pensava que talvez não amasse minha bisavó, dentre outras coisas nas quais pensava. E minha bisavó, embora não amasse meu bisavô, não pensava em nada, apenas fritava ovos, dentre outras coisas as quais fazia.&lt;br /&gt;Além de pensar na minha bisavó, no amor (e na falta dele) e de andar pra lá e pra cá como quem não faz isso, meu bisavô também pensava no meu avô, seu filho, um filho que o preocupava, um filho complicado, epilético.&lt;br /&gt;Meu avô epilético, também um futuro comunista, acordava faminto e descia para comer o ovo frito que a minha bisavó fazia, na companhia do meu bisavô, infeliz e preocupado, que andava pra lá e pra cá, pensando em amor (e na falta dele), no meu avô/ seu filho epilético, dentre outras coisas.&lt;br /&gt;Meu avô, faminto, futuro comunista, filho de mãe que não amava pai e fritava ovos, dentre outras coisas, sentou-se à mesa, e meu bisavô, vendo meu avô sentado, sentou-se ao seu lado (um sentar pesado, de quem sente que o seu sentar é a causa ou a consequência de algo bem maior).&lt;br /&gt;Vendo meu bisavô sentado como quem não parece sentado, pensando em amor (e na falta dele), mais preocupado com a epilepsia do filho do que com a própria fome, meu avô sentiu um misto de amor e pena e, por um instante, esqueceu a sua fome também.&lt;br /&gt;Nesse momento, minha bisavó chegou à mesa, segurando com uma mão a frigideira e, com a outra, a leiteira. Ela olhou para o meu avô/seu filho e notou nos seus olhos a sua momentânea falta de fome, o que a deixou com uma dor que compreendeu. (A falta de fome momentânea do filho epilético, sempre faminto pela manhã, era triste).&lt;br /&gt;E então minha bisavó, que fritava ovos como quem fritava ovos, passou a segurar a leiteira como quem sente que o que faz é a causa ou a consequência de algo bem maior. E seu pulso (esse que segurava a leiteira) fraquejou, fazendo com que parte do leite quente vertesse sobre a região da mesa onde meu bisavô repousava seu braço esquerdo.&lt;br /&gt;O leite quente, no contato com a pele fina do meu bisavô, queimou-o, provocando nele uma dor exata (uma dor de quem tem o braço queimado por um líquido muito quente).&lt;br /&gt;E nenhum dos três jamais esqueceu aquela manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-4077902220627861652?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/4077902220627861652/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2011/10/cafe-da-manha-em-1902.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/4077902220627861652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/4077902220627861652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2011/10/cafe-da-manha-em-1902.html' title='Café da manhã em 1902'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-5801676332649623206</id><published>2011-10-29T18:46:00.000-07:00</published><updated>2011-10-29T18:48:32.602-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Becket'/><title type='text'>Os (i)nomináveis</title><content type='html'>Ei, você. Você mesmo. Parado aí atrás, procurando aquela coisa perdida entre você e o resto. Digo... Procurando aquela coisa perdida entre o resto – você – e o outro resto. Seja ele o que for. Você. Que cegamente confiou naquele sujeito a um século de ser dado como louco, naquele ser de unhas imensas e imundas, que fabricava o silêncio mastigando a própria língua – o que por si só já revelava a sua imensa falta de bom senso... Mas talvez fosse falta de bom senso o que você buscava, não? Você.  Sujeito atravessado por crenças tão exatas. Esse pleonasmo necessário. Você. Que buscava o caos dentro das próprias certezas. Sim, o `caos`. Que com todo o seu esforço, com todo o seu ímpeto anti-dialético só existe quando eu digo: `certeza`. Você. Que isolado na sua bolha antisséptica ainda está a lutar contra as certezas. Guerreiro ilustríssimo dessa guerra de última hora. Porém necessária, você dirá. Porém sangrenta!... (Embora eu nunca tenha visto muito mais do que meia dúzia de assassinatos cênicos, cortes improvisados, balas de festim...) Você mesmo. Aí sentado no alto das escadarias, por detrás do seu cargo vitalício, do seu olhar de lince, sempre à procura de algo que desautorize tudo que não a sua própria e patética retórica. Deve haver mesmo em cada um de nós um prazer sórdido em destruir as estruturas que nos põem de pé. E você, o mais sórdido dos sujeitos, há de dizer simplesmente: “mas que estruturas?” Bem ali. Onde o bicho busca o próprio rabo... Esse gesto atávico, essa punheta sem gozo, para ser mais claro.&lt;br /&gt;Mas eu... Agora vamos falar de mim. Eu também estou aqui brincando de fazer castelinhos no vazio, de enrolar minha própria língua, de cobrir páginas brancas com a minha própria sujeira. Não se engane, eu nunca disse que somos assim tão diferentes. Embora eu talvez busque ainda um final grandiloquente. Uma redenção ou um apocalipse, o que talvez seja apenas uma nostalgia inócua. Ou quiçá um reacionarismo perigoso, como lhe será tentador dizer. Pouco importa. Apenas estou tentando diferenciar as coisas, colocar os pingos nos is. Sei que não te apetece fazer isso, mas é justamente por isso que, de alguma forma, você me interessa. Eu elejo você para destruir o meu castelo e você elege o meu castelo para destruir. Você o invasor. Eu, o invadido.&lt;br /&gt;Fomos nós quem quisemos assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-5801676332649623206?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/5801676332649623206/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2011/10/os-inominaveis.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/5801676332649623206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/5801676332649623206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2011/10/os-inominaveis.html' title='Os (i)nomináveis'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-4580847367203311136</id><published>2010-08-16T15:22:00.000-07:00</published><updated>2010-08-16T15:28:58.710-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>Rumo a Av. Rio Branco</title><content type='html'>É, baby, faz tempo né, do tempo em que dizíamos um ao outro que não havia no mundo nada como o nosso amor, do tempo em que comparávamos a grandeza do amor à das coisas astrais...&lt;br /&gt;Lembra que sonhávamos que éramos os revolucionários do século, que lutávamos em 68, que destruíamos com nossas metralhadoras a fome do mundo, lembra?&lt;br /&gt;Faz tempo, baby, hoje o meu amor passa pela porta, senta-se à mesa, deita-se de meias no final do dia. Faz tempo. Mas ele ainda acorda, faz o café, deixa a casa para trazer o pão.&lt;br /&gt;Não é que tomamos rumos...que deixamos pra trás os caminhos que desenhamos com as palavras enquanto o mundo lá fora ia parar em manchetes de jornais estendidas nas bancas?&lt;br /&gt;Olha pra você, ficou linda metida nessas roupas, sustentando essas novas idéias. E mantém tão bem esse mundo ao seu redor, nem parece a menina que se enfiava embaixo dos lençóis, que se escondia no último vagão do metrô.&lt;br /&gt;Volta e meia eu me pego pensando em você, comparando esse amor que toma o ônibus todos os dias, que chega pela madrugada nas pontas dos pés para não fazer barulho, com todas aquelas promessas, com todos aqueles sonhos que o abrir das janelas despedaça. E eu nunca chego a lugar nenhum.&lt;br /&gt;Eu sigo tomando o ônibus pela manhã, virando as páginas de calendários que mostram grandes pintores ou estrelas de cinema, eu sigo operando a máquina e trocando os lençóis em terríveis manhãs de domingo. E volta e meia sonho com revoluções, batendo a cabeça no vidro da janela às segundas-feiras pela manhã, rumo à av. Rio Branco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-4580847367203311136?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/4580847367203311136/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2010/08/rumo-av-rio-branco.html#comment-form' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/4580847367203311136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/4580847367203311136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2010/08/rumo-av-rio-branco.html' title='Rumo a Av. Rio Branco'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-525409456678079065</id><published>2010-02-10T08:43:00.000-08:00</published><updated>2010-03-29T20:00:01.204-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Fugaz</title><content type='html'>Creio ter tomado das palavras esse hábito de escapar-me&lt;br /&gt;De fugir-me a todo instante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes desconfio de que como uma maldição&lt;br /&gt;Cravaram em mim sua natureza escorregadia&lt;br /&gt;E assim acabei me tornando esse pau pra toda obra&lt;br /&gt;- essa que carrega pedras, que arma barraca na feira,&lt;br /&gt;que escreve para os jornais e no final do dia demite-se de si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me a cada dia destinada a viver uma vida diferente&lt;br /&gt;Não sei que sina é essa de ser sem ter vida própria&lt;br /&gt;De ter vida, apenas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou descontínua como um sonho, uma piada, um minotauro&lt;br /&gt;Começo absurda e termino banal&lt;br /&gt;Começo animal e termino gente&lt;br /&gt;- nem mesmo num mesmo espaço sei ser homogênia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias olho para o espelho e estranhada de mim&lt;br /&gt;coloco a culpa no tempo&lt;br /&gt;O que sinto é que viver evapora-me.&lt;br /&gt;Alucinada procuro uma consistência, uma certeza&lt;br /&gt;Mas até minhas verdades são feitas de palavras e nada mais&lt;br /&gt;Não sei erguer prédios a partir delas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugaz, passo na boca dos outros como um “bom dia”&lt;br /&gt;Às vezes passo em suas mãos&lt;br /&gt;Mas muitas vezes nem me tocam&lt;br /&gt;Sou como um perfume vagabundo&lt;br /&gt;-fácil e atraente e sobretudo sem fixidez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário dos outros sou de despedidas&lt;br /&gt;Apenas dou-me inteira porque carrego no meu princípio&lt;br /&gt;o desejo da partida&lt;br /&gt;Não sei amar ninguém pela metade e muito menos aos poucos&lt;br /&gt;Sou de deitar-me com estranhos&lt;br /&gt;(Mas é que eles não me parecem assim)&lt;br /&gt;Identifico-me antes de ver as diferenças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que o tempo me perdoe por ser essa traidora&lt;br /&gt;Por nunca ter aprendido a respeitar suas leis&lt;br /&gt;Por nunca ter conseguido controlar essa ânsia&lt;br /&gt;E hoje até gostar dela&lt;br /&gt;Mas como diabos se faz para se ser fiel a uma natureza traidora?&lt;br /&gt;- Eis onde as palavras não dão conta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-525409456678079065?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/525409456678079065/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2010/02/fugaz.html#comment-form' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/525409456678079065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/525409456678079065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2010/02/fugaz.html' title='Fugaz'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-838145659294292504</id><published>2010-01-24T17:41:00.000-08:00</published><updated>2010-06-18T23:37:36.872-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Coração de estrada</title><content type='html'>Com o coração abarrotado e as mãos vazias&lt;br /&gt;eu voltava:&lt;br /&gt;- sem mala, sem nome, deserta de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já era ponte&lt;br /&gt;eu já era estrada&lt;br /&gt;fronteira a ser cruzada sem porquê&lt;br /&gt;porto a ser chegado por todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tristeza que eu sentia não era minha&lt;br /&gt;- eu chorava em outros olhos&lt;br /&gt;- eu sorria em outros lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guerreiros, homens-bomba, ditadores&lt;br /&gt;todos se refugiaram em mim&lt;br /&gt;todos moraram em mim&lt;br /&gt;eu hospedei todos em meu país sem nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu identifiquei em mim todos os pecadores&lt;br /&gt;e dei a eles o perdão como se eu o tivesse&lt;br /&gt;mas quem é que precisa do meu perdão, ó Deus?!&lt;br /&gt;e quem é que precisa do Teu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa dar aos homens um destino de homem&lt;br /&gt;deixa-me dar a mim um destino de homem&lt;br /&gt;destrói em mim o significado do amor&lt;br /&gt;amesquinha em mim o significado da vida&lt;br /&gt;enche a minha boca de palavras pequenas&lt;br /&gt;porque só assim poderei viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensina-me a falar de novo, mãe&lt;br /&gt;tira de mim esse amor pelas palavras absolutas&lt;br /&gt;destrói em mim esse vício grandiloquente&lt;br /&gt;torna-me pagã&lt;br /&gt;exila de mim esse Deus exigente&lt;br /&gt;exila de mim os criminosos&lt;br /&gt;não cabe a mim amá-los&lt;br /&gt;não cabe a ti amá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa-me eu também me tornar uma criminosa&lt;br /&gt;deixa-me chorar com os meus olhos&lt;br /&gt;pelos meus pecados&lt;br /&gt;pela minha vida ridícula&lt;br /&gt;não te contaram que a minha vida também é ridícula?&lt;br /&gt;que em meu íntimo eu guardo ambições mesquinhas?&lt;br /&gt;que em meu íntimo eu rio de todos os poetas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livra-me do teu amor de Deus&lt;br /&gt;eu não quero, eu não quero!&lt;br /&gt;você não é maior que ninguém, ó deus&lt;br /&gt;nem você, nem as mães, nem os poetas&lt;br /&gt;eu vou morrer com as doenças do mundo&lt;br /&gt;eu vou morrer com a fome do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livra-me de qualquer amor que seja grande&lt;br /&gt;de qualquer amor que seja incondicional&lt;br /&gt;entrega-me um amor honesto apenas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arranca de mim esse coração de estrada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-838145659294292504?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/838145659294292504/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2010/01/voce-em-mil.html#comment-form' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/838145659294292504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/838145659294292504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2010/01/voce-em-mil.html' title='Coração de estrada'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-8407351631410950101</id><published>2009-08-12T09:08:00.001-07:00</published><updated>2009-08-15T11:48:40.903-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Eu, tu, ele.</title><content type='html'>Não me interpretes mal nesse amor que sinto pelo mundo&lt;br /&gt;Nessa minha promiscuidade com a gente e as ruas e a vida fora nós.&lt;br /&gt;Essa vida que existe para premiar o nosso encontro&lt;br /&gt;Esse encontro que não deixa interstícios&lt;br /&gt;Esse encontro que reorganiza o mundo ao nosso modo&lt;br /&gt;- Que a vida fora nós é a mesma para mim e para você&lt;br /&gt;Nunca mais os desencontros de sentidos&lt;br /&gt;Nunca mais a solidão dos desencontros&lt;br /&gt;Nunca mais o coração circunspecto e o olhar perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não desejar ser sempre assim?&lt;br /&gt;Se puder o mundo nunca mais me botar medo&lt;br /&gt;Se puder o mundo nunca mais te botar medo&lt;br /&gt;Então apenas o medo de não ser sempre assim&lt;br /&gt;De a vida cair no chão e ir por terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como deter eu o movimento da tua natureza?&lt;br /&gt;Como tudo, tu tens o teu lugar no mundo.&lt;br /&gt;E és tão mais bela porque cresces&lt;br /&gt;Porque aprendes e porque mudas&lt;br /&gt;Porque te encantas e te admiras&lt;br /&gt;E então sorris&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como não desejar então&lt;br /&gt;Que fossem meus todos os teus sorrisos ?&lt;br /&gt;E todas as tuas lágrimas e todas as tuas dúvidas&lt;br /&gt;E todas as tuas escolhas e todas as tuas etapas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que o movimento do mundo nunca te afaste de mim&lt;br /&gt;Que a Terra gire com mais cautela só por nós&lt;br /&gt;Que a cidade dirija com menos pressa só porque&lt;br /&gt;Eu já não posso mais com tanto risco&lt;br /&gt;Eu já não posso mais com tanto acaso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que só sei amar assim&lt;br /&gt;Computando sempre o risco&lt;br /&gt;E te amando mais por ele&lt;br /&gt;E te querendo mais por ele&lt;br /&gt;Porque sem ele somos só nós sem o mundo&lt;br /&gt;E sem o mundo não temos o que temer&lt;br /&gt;E sem temer não há razão para o nosso encontro&lt;br /&gt;- Mundo seguro que nunca nos faria medo.&lt;br /&gt;Que nunca nos daria sede&lt;br /&gt;Que não nos faria jamais querer buscar a cura&lt;br /&gt;Que não nos aproximaria da loucura&lt;br /&gt;- Mundo exato e pequeno&lt;br /&gt;No qual nem caberíamos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-8407351631410950101?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/8407351631410950101/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/08/eu-tu-ele.html#comment-form' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/8407351631410950101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/8407351631410950101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/08/eu-tu-ele.html' title='Eu, tu, ele.'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-3930762774939694256</id><published>2009-08-07T14:08:00.001-07:00</published><updated>2010-06-18T23:23:33.787-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Poema do desencontro</title><content type='html'>Então era aquela a sutil armadilha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programar encontros futuros&lt;br /&gt;sem a ajuda dos relógios reais&lt;br /&gt;despedir-nos sem nenhuma paisagem porvir&lt;br /&gt;sem nenhuma estação de trem amparada&lt;br /&gt;pelos ponteiros das horas exatas&lt;br /&gt;que medem o esforço humano&lt;br /&gt;que roubam do tempo sua propriedade aérea&lt;br /&gt;sem a qual nos encontraríamos&lt;br /&gt;no mesmo lugar que nos deixamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não nos encontramos&lt;br /&gt;mas não nos encontramos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançamos balões aos céus&lt;br /&gt;e enterramos cartas de amor em campos de guerra&lt;br /&gt;nesses campos onde tudo se move e todos se perdem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As indústrias e os quartéis&lt;br /&gt;planejam o desencontro&lt;br /&gt;mas nem sabem&lt;br /&gt;e quem é que faz a hora&lt;br /&gt;que por vezes desatina&lt;br /&gt;a máquina da vida&lt;br /&gt;e a desfaz&lt;br /&gt;e faz girar ao revés&lt;br /&gt;lançando ao mar&lt;br /&gt;mesmo os aviões da paz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem será esse artesão secreto&lt;br /&gt;que esconde na diferença entre o dia e a noite&lt;br /&gt;e nos relógios de areia&lt;br /&gt;a mesma fagulha que esforça os ponteiros&lt;br /&gt;dos relógios mais precisos                 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A areia que escorre das nossas mãos&lt;br /&gt;é um pedaço do mundo que roubamos&lt;br /&gt;e ele parece tão grande quanto todo o resto que ficou&lt;br /&gt;e então eu te pergunto:&lt;br /&gt;qual é o máximo do mundo que podemos ter?&lt;br /&gt;com quem negociar&lt;br /&gt;que leis seguir ou criar&lt;br /&gt;quais os relógios que agenciarão os nossos encontros daqui pra frente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como devemos nos despedir meu amor?&lt;br /&gt;escolher entre o adeus e o até logo:&lt;br /&gt;- é aqui que pesam todas as horas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-3930762774939694256?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/3930762774939694256/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/08/poema-do-desencontro.html#comment-form' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/3930762774939694256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/3930762774939694256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/08/poema-do-desencontro.html' title='Poema do desencontro'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-3704199367146381052</id><published>2009-05-14T11:26:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T14:11:57.005-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Poema zero</title><content type='html'>Entre o cálculo perfeito&lt;br /&gt;e a concretude áspera&lt;br /&gt;do cimento e dos tijolos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a nossa completa ignorância&lt;br /&gt;de que a qualquer momento&lt;br /&gt;esse mundo pode desabar sobre nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e seus limites de asfalto e céu de cal&lt;br /&gt;planejados pela ciência do homem&lt;br /&gt;sempre aquém do movimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;das placas que sob o magma colidem&lt;br /&gt;sem pulsão, sem função, por acaso&lt;br /&gt;por descaso por tudo que há&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de sustentado por essa ilusão&lt;br /&gt;falível mas suficiente&lt;br /&gt;que sustenta os prédios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que aterra os mares&lt;br /&gt;que domestica átomos&lt;br /&gt;que esvazia os cemitérios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conferindo à paisagem&lt;br /&gt;a mudança enganadora&lt;br /&gt;que movimenta a engrenagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;das engenharias e das linguagens&lt;br /&gt;as verdadeiras armas que limitam&lt;br /&gt;o vazio com as paredes tangíveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que nos protegem de escorrermos&lt;br /&gt;pelos sonhos mais do que pela morte&lt;br /&gt;- que só ficam intactas as arestas do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-3704199367146381052?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/3704199367146381052/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/05/entre-o-calculo-perfeito-e-concretude.html#comment-form' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/3704199367146381052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/3704199367146381052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/05/entre-o-calculo-perfeito-e-concretude.html' title='Poema zero'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-6323314450867059566</id><published>2009-03-12T10:58:00.000-07:00</published><updated>2009-03-13T05:49:23.733-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Palavra (en)cantada'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Helena Soldberg'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tropicalismo'/><title type='text'>Palavra (en)cantada</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SblSNEpXB2I/AAAAAAAAAH0/9I4853iweus/s1600-h/palavra+encantada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312367619999205218" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 169px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SblSNEpXB2I/AAAAAAAAAH0/9I4853iweus/s200/palavra+encantada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Filme:&lt;/span&gt; Palavra (en)cantada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Direção:&lt;/span&gt; Helena Soldberg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Ano:&lt;/span&gt; 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, a cineasta Helena Soldberg mostra seu interesse pela cultura popular brasileira. Nesse novo documentário, &lt;em&gt;Palavra (en)cantada&lt;/em&gt;, trata de um tema que vem ganhando atenção, principalmente, de estudiosos dos campos da literatura, da música e da antropologia: nada menos do que as relações entre a poesia e a música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tema rico, complexo e com um horizonte tão largo que é capaz de colocar dentro dele quase toda a história da humanidade, senão toda ela. Porque falar das ligações entre música e poesia talvez tenha mais a ver com a linguagem primitiva dos primeiros homens do que com a racionalização e burocratização que nela o Ocidente Moderno instituiu. E que, por sua vez, levou à separação, através de um binário mecanismo cartesiano, entre as linguagens escrita (que se passou a associar a dimensão racional do homem) e musical (associada a uma dimensão mais emocional).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, alguns estudiosos empenharam-se em demonstrar que `nossa dicotomia contemporânea entre texto e música não pertence a uma ordem natural permanente`. E que durante a Idade Média, por exemplo, a figura dos trovadores, entoando suas cantigas acompanhados por instrumentos musicais, encarnava esse casamento entre a palavra e a música. O mesmo acontecia na sociedade grega antiga, nos rituais religiosos de tribos africanas, nas canções heróicas iugoslavas e, da mesma forma, em muitas outras expressões culturais. &lt;a href="http://www.travessa.com.br/PALAVRA_CANTADA_ENSAIOS_SOBRE_POESIA_MUSICA_E_VOZ/artigo/d5d31cba-eebc-4edb-8789-8416f52f3064"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;(ver Palavra Cantada: ensaios sobre poesia, música e voz)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, &lt;em&gt;Palavra (en)cantada&lt;/em&gt;, parte da hipótese, tornada explícita por uma das falas do músico e pesquisador José Miguel Wisnik, de que a música popular brasileira seria expressão autêntica de mais um desses encontros históricos entre a música e a poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hipótese perfeitamente costurada e que se inicia com um depoimento de Adriana Calcanhotto cantando em franco-provençal versos de Artaud Daniel, poeta provençal do século XII. Seguindo essa tessitura, há a sugestão de Lenine de que os compositores brasileiros são descendentes diretos do trovador e os depoimentos de Wisnik, discorrendo sobre a forte tradição oral da cultura brasileira. Segundo o pensador, a cultura letrada nunca teria penetrado ampla e efetivamente no Brasil e teríamos passado diretamente da oralidade para a cultura audiovisual do rádio e da televisão, sem o interlúdio determinante do livro e da escrita, tal como acontecera na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa hipótese é que surgem, alinhavados, outros questionamentos. Refiro-me, em especial, ao antigo debate relacionado à existência ou não de fronteiras entre a cultura popular e a cultura erudita no Brasil. Aqui aparece, mais uma vez, o interesse da cineasta pelo Tropicalismo (o que já revelara explicitamente em seu documentário anterior sobre Carmen Miranda, &lt;em&gt;Bananas is my buisness&lt;/em&gt;), como manifestação cultural em que essa aproximação entre elite e massa, erudito e popular é perpetrada. São valiosas as imagens de arquivo mostrando figuras como Caetano Veloso (numa hilária entrevista no Festival da Record, em 1967), Gilberto Gil, Rita Lee, entre outros, que protagonizaram esse momento histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ecletismo que orienta a escolha de seus personagens deixa muito claro essa postura tropicalista adotada pela cineasta. Afinal de contas, entre os entrevistados (Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik, Lirinha, Lenine, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan,) estão sambistas, poetas, intérpretes, rappers, teatrólogos, baianos, gaúchos, cariocas, moradores da zona sul, leste e oeste. Mais variado, parece difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos levados à sugestão de que, desse encontro entre a música e a poesia, as fronteiras- sociais, culturais- no que tem de limitadoras, tornam-se, de alguma maneira, menos demarcadas. E é isso que realmente importa para o filme. Não a discussão levada à frente por muitos sobre o quanto uma letra de música pode ou deve ser considerada poesia. Ganha peso o depoimento de Adriana Calcanhotto de que essa é para ela uma discussão infértil, a vida é muito curta para comportar esse tipo de preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque, justamente, o que está em jogo aqui não é demarcar fronteiras nem colocar cada coisa no seu devido lugar mas, ao contrário, mostrar que misturadas, remidiadas, transmidiadas, elas sao igualmente belas, ou diferentemente belas, que seja. O que vale aqui é Fernando Pessoa chegando para Adriana pela voz de Bethania, é Waly Salomão chegando para gente depois de passar pela sensibilidade de Adriana, é João Cabral chegando para milhares de pessoas pela música de Chico Buarque. É a antropofagia de Zé Celso Martinez, o Tropicalismo de Caetano, a palavra, seja ela escrita por Cícero, recitada por Lirinha ou cantada por Bethânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um argumento forte que o filme usa é o relato, feito por Chico Buarque, da história que há por trás do musical feito por ele a partir do famoso texto de João Cabral de Melo Neto, &lt;em&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Morte_e_Vida_Severina"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Morte e Vida Severina&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. Conhecido como um poeta racionalista, avesso às rimas e a musicalidade dos poemas, contam os músicos, as músicas &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;( como&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/423779/"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;Outro Retrato&lt;/em&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;de Caetano Veloso&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;) &lt;/span&gt;e o depoimento de Chico, que João Cabral não gostava nem um pouco da idéia de que musicassem seus poemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, sabemos que assim foi feito, que &lt;em&gt;Morte e Vida&lt;/em&gt; foi musicado por Chico para a montagem de uma peça e, em grande parte por isso, tornou-se conhecido por tanta gente. Então a pergunta que fica é: se até Cabral foi musicado o que nessa vida não é musicável? Se no auge da pretensão da racionalidade se pode extrair uma música, essas duas instâncias não são tão independentes assim como um dia o Ocidente ou Cabral desejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é esse debate sobre a oposição entre erudito e popular, palavra e música, que ganha corpo a partir da hipótese que o filme lança. Oposição que perde parte de seu sentido no reconhecimento de que somos uma cultura preponderantemente oral, de que fazemos parte de uma sociedade (a brasileira) em que a divisão entre a razão e a emoção não foi de todo efetuada. De que num mundo de bom dias burocráticos, a nossa canção é uma forma de viver mais poética e musicalmente o dia-dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-6323314450867059566?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/6323314450867059566/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/03/palavra-encantada.html#comment-form' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/6323314450867059566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/6323314450867059566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/03/palavra-encantada.html' title='Palavra (en)cantada'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SblSNEpXB2I/AAAAAAAAAH0/9I4853iweus/s72-c/palavra+encantada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-1826926037113232193</id><published>2009-03-12T10:54:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T14:11:25.767-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>Inteiro</title><content type='html'>Sou um ser sem fronteira&lt;br /&gt;Sem borda, sem beira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos sentidos recebo o mundo&lt;br /&gt;De uma forma tal que o confundo&lt;br /&gt;Com aquilo que meu corpo encerra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então me pergunto:&lt;br /&gt;Como dividir-me do mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como absorver o sol&lt;br /&gt;e não sentir que ele me integra?&lt;br /&gt;Que seu amarelo me alegra&lt;br /&gt;Que seu calor me esquenta&lt;br /&gt;O sangue, o sexo, as idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dividir-me do mundo?&lt;br /&gt;Se quando eu adoeço&lt;br /&gt;Tudo em volta adoece&lt;br /&gt;E a morte de um simples homem&lt;br /&gt;Um pouco mais para sempre me anoitece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dividir-me do mundo?&lt;br /&gt;Se quando te amo sinto&lt;br /&gt;Que se não fosse assim&lt;br /&gt;Parte de mim seria&lt;br /&gt;A parte que falta&lt;br /&gt;Para eu saber de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu corpo não encerra nada&lt;br /&gt;É fronteira ilusória.&lt;br /&gt;Como parte do mundo&lt;br /&gt;Sou também o mundo inteiro.&lt;br /&gt;Sem começo ou paradeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-1826926037113232193?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/1826926037113232193/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/03/pangeia.html#comment-form' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/1826926037113232193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/1826926037113232193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/03/pangeia.html' title='Inteiro'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-8726759860931759922</id><published>2009-03-02T13:16:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T13:21:57.207-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>4 estações</title><content type='html'>Quando eu te vi notei Londres na sua pele.&lt;br /&gt;Quando te ouvi escutei Porto Alegre no seu som.&lt;br /&gt;(o som e a cor distantes dos filmes em preto e branco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo percebi então que os solos pelos quais você andara não havia no mapa da minha vida. E para mim que a vida é uma questão de explorar para tornar o conhecido uma parte do meu continente sem fim. rapidamente fiz de você o geógrafo capaz de desenhar os contornos dos terrenos virgens, o astrônomo capaz de me dizer onde estou e quem eu sou embaixo de cada estrela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do nosso encontro fizemos o mundo. Com você chegando de trem com suas malas abarrotadas de castelos escoceses e solidão londrina, povoando a minha pequena província com os sotaques do seu mundo velho, estreitado pelo crescimento humano, asfaltando a minha natureza vulnerável com o seu cimento sólido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para logo o mundo tornar-se as nossas primaveras trocadas, as três horas que distanciavam a nossa percepção de tempo a partir do meridiano no qual todo os dias você tinha os pés enfiados, os aeroportos lotados cuspindo homens de negócios para todas as latidudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que logo o nosso intervalo fosse resumido a você perdido no tempo com o seu relógio atrasado, bem ali na minha frente, na minha hora, na minha primavera. para que logo fosse possível espremer ainda mais essa distância, que não é mais de tempo e espaço, que é embaraço. no encontro do meu português cantado para me fazer clara com o seu atropelado por todas as suas horas antes de mim. pelos nossos desencontros rítmicos ansiosos de um maestro ou de um silêncio para nos harmonizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até nos tornarmos esse ponto minúsculo onde o mundo fora nós permanece satisfeito com a mais ordinária das suas representações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sabíamos que apenas seríamos possíveis em meio a fusos horários e vôos marcados que colocassem para fora da gente a nossa distância tão justamente representada pelo oceano e o continente dos mapas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-8726759860931759922?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/8726759860931759922/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/03/4-estacoes.html#comment-form' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/8726759860931759922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/8726759860931759922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/03/4-estacoes.html' title='4 estações'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-215799709474939849</id><published>2009-02-25T12:50:00.000-08:00</published><updated>2009-03-12T11:29:19.054-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carmen Miranda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Helena Soldberg'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='identidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tropicalismo'/><title type='text'>Na onda do Tropicalismo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SaWv9RpIlBI/AAAAAAAAAHk/99ik8Wrwlrk/s1600-h/carmen.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306841203168810002" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SaWv9RpIlBI/AAAAAAAAAHk/99ik8Wrwlrk/s200/carmen.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Filme:&lt;/span&gt; Bananas is my buisness&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Direção:&lt;/span&gt; Helena Soldberg&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Ano:&lt;/span&gt; 1994&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Banana is my buissness, o documentário realizado por Helena Soldberg, em 1994, sobre a atriz, cantora e precursora do Tropicalismo, Carmem Miranda, é um documento valioso a ser guardado pela sociedade brasileira. Infelizmente, o filme não interessou o bastante a indústria do home vídeo e a transformação do material em dvd ficou a cargo da própria diretora, que apenas vendeu algumas cópias diretamente aos mais interessados. Fora isso, banana encontra-se apenas disponível em VHS, e não precisamos nem dizer que nosso vídeo está quebrado, que as prateleiras do formato nas locadoras estão extintas ou, no mínimo, empoeiradas.&lt;br /&gt;Então, aproveitando um aparente, embora tímido ainda, movimento de revitalização do Tropicalismo, que juntou o centenário de Carmen, Carnaval, a estreante e muito boa Silvia Machete, vou aproveitar o embalo, escrever sobre o filme e torcer para essa febre tropical pegar a gente de vez.&lt;br /&gt;Certamente, a figura de Carmen Miranda não fascinou apenas Helena Solberg, como bem mostra o filme, cuja uma das primeiras cenas é uma multidão de admiradores a seguir o caixão de Carmen, recém-chegado dos Estados Unidos. Nessa cena já estão preanunciadas algumas das questões centrais de Banana is my buissness: a questão do mito (perfeitamente condensada na imagem de um caixão cercado de gente), e indissociada dela, o problema da identidade (pois sabemos, por meio da narrativa em off, que o caixão está vindo dos Estados Unidos, onde a cantora e atriz viveu a maior parte de sua carreira, embora tenha vivido a juventude no Brasil e nascido em Portugal).&lt;br /&gt;Poderíamos dizer que um filme sobre Carmen Miranda, dificilmente, poderia se furtar a trabalhar esse tema, tendo em vista que o nosso ponto de partida é uma figura lendária, que em muito concorreu para formatar um determinado imaginário do Brasil nos Estados Unidos e na Europa. Mas o que chama atenção aqui é que o interesse da cineasta é problematizar a identidade de um único sujeito para a partir daí sim, por meio de uma relação metonímica inevitável, chegar ao questionamento mais amplo que concerne à questão da construção de uma identidade nacional e a formação de um imaginário brasileiro no exterior.&lt;br /&gt;É também em função dessa opção de colocar-se colado ao seu objeto que &lt;em&gt;Banana&lt;/em&gt; se coloca como um filme profundamente `sentimental`, no qual o interesse não é situar-se fora da realidade do qual o filme trata, nem estar minimamente dela distanciada. Mas, ao contrário, colocar-se como parte desse universo, compondo uma narrativa semi-ficcional na qual a própria diretora empresta seu corpo e imagem para reconstituir a trajetória de seu personagem.&lt;br /&gt;É desse desejo de colar-se ao objeto, transformando-o em sujeito, que a diretora faz um filme que deseja ir na contramão do simples aceite dessa figura caricata. Ainda que seja para, ao final das contas e a despeito das intenções do filme, atestar sua impossibilidade.&lt;br /&gt;Pois cedo ou tarde, a questão que se coloca é:&lt;br /&gt;Por mais que possa bastar um único dia para percebermos a infinidade de riqueza musical, étnica, religiosa que pode existir em um bairro, por mais que um único ser humano possa ser, dentro de si, tão diverso e complexo quanto um país inteiro, ainda assim, como escapar a redução e a caricatura? como não ser simplesmente o país do samba e do futebol? ou do das favelas e da bala perdida? como não ser a Carmen do cacho de bananas que &lt;em&gt;voltou americanizada&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;Acaba que o próprio filme não é capaz de resolver esse impasse (mesmo porque não o pretende), e a voz que acaba sobressaindo ao assisti-lo é de um certo ressentimento. O sentimento da cineasta de não poder compreender como se pode reduzir tamanhamente um ser humano. `Como puderam fazer isso com a nossa Carmen` ? A pergunta que fica no ar é: como pode uma pessoa, infinitamente plural e complexa, ser reduzida a uma única imagem, a um único ângulo de câmera, a um único papel? Como pode alguém fazer a vida inteira um mesmo show, interpretar a vida inteira um mesmo papel? Transformar-se em um personagem para os outros que, em algum momento, tornar-se-á imagem que tem, inclusive, de si própria.&lt;br /&gt;O momento mais marcante do documentário talvez seja o depoimento de um senhor que havia trabalhado com Carmen em Hollywood e relata que, a certa altura do campeonato, já dependente dos remédios para dormir e das anfetaminas para ficar acordada nos momentos do espetáculo, Carmen só levantava da cama para fazer os shows. Ou seja, havia tornado-se única e tão-somente um personagem, uma imagem, um objeto, destituído de identidade.&lt;br /&gt;O que poderia chapar tanto um indivíduo, transformar todas as suas dimensões em uma única camada como se faz com um comando de photoshop?&lt;br /&gt;O filme tenta oferecer ao telespectador uma resposta, apontando para o esquema acachapante a que foram submetidas, pelas indústrias de Hollywood e do showbuisness, Carmen e outras estrelas. O que é extremamente pertinente, mas que faz de forma rasa, porque seria impossível o filme dar conta disso também.&lt;br /&gt;No entanto, o grande efeito e mérito de &lt;em&gt;Banana is my buissness&lt;/em&gt; é colocar ao telespectador o questionamento, muito pertinente nos dias atuais, de quais podem ser as conseqüências de uma sociedade estabelecer seus referenciais exclusivamente baseados na imagem. Porque passa ano, passa década e Carmen continua a musa das bananas. Porque passa década, passa século e continuamos o país do Carnaval.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-215799709474939849?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/215799709474939849/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/02/na-onda-do-tropicalismo.html#comment-form' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/215799709474939849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/215799709474939849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/02/na-onda-do-tropicalismo.html' title='Na onda do Tropicalismo'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SaWv9RpIlBI/AAAAAAAAAHk/99ik8Wrwlrk/s72-c/carmen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-976543170409994243</id><published>2009-02-25T10:44:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T06:30:10.026-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='oriente médio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='identidade'/><title type='text'>Paraíso agora</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SaWV9l24FvI/AAAAAAAAAGc/0XNTfNTnU6U/s1600-h/paradise20now1yk.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306812621292836594" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 152px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SaWV9l24FvI/AAAAAAAAAGc/0XNTfNTnU6U/s200/paradise20now1yk.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(Paradise Now, Hany Abu- Assad, 2005, França, Alemanha, Israel) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;“Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar noespaço”...... Eduas ideologias?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme Paradise Now, dirigido pelo diretor palestino Hany Abu-Assad conta a história de dois amigos palestinos, que vivem na margem ocidental da cidade de Nablus e que são escolhidos para realizar um ataque suicida em Tel Aviv. O pano de fundo já é bem conhecido, posto que já fora mais do que colocado em pauta pelos cadernos de política internacional dos jornais e pelas imagens espetacularizadas da televisão: o universo cindido de palestinos e israelenses, o fundamentalismo religioso, homens capazes de detonar a vida em nome de crenças que há muito tempo o mundo ocidental já enterrou.O filme de Assad, no entanto, como obra de arte que é, tem a função de dar espessura e densidade a esse cenário assustador e aos personagens reais que nele atuam. O que vemos não são simplesmente homens barbudos, detonando maquinalmente bombas em metrôs e prédios em nome sabe-se lá de que, mas seres humanos com seus universos interiores destroçados, transitando em um mundo em ruínas, desorientados ideologicamente, capazes de cometer atrocidades por conta dessa desorientação.O personegem central Sayd é a personificação desse conflito que coloca israelenses e palestinos em lados opostos e inconciliáveis. De um lado, Israel, um mundo de ruas asfaltadas, arranha-céus, personagens de terno e gravata indo de casa para o trabalho, do trabalho para casa, uma nação de ideais capitalistas acima de qualquer rigor religioso. Do outro, uma nação que não é nação, posto que não separou até o momento Igreja de Estado, que não colocou o homem no centro do universo e, dessa forma, é capaz de colocá-lo não a serviço da vida e de sua própria espécie, mas antes de qualquer coisa, a serviço de Deus.Vemos a Tel Aviv antropocêntrica com seus prédios altos e carros novos contrastar drasticamente com uma Cisjordânia de construções caindo aos pedaços, perfuradas por balas. A intenção de Assad, entretanto, não é carregar o telespectador com informações objetivas com relação ao conflito político vivido por árabes e judeus, mas sim trabalhar a subjetividade desses personagens reais utilizando esses cenários como forma de ilustrar um estado de espírito e provocar um sentimento no telespectador.Até porque a questão central em Paradise Now é outra. O personagem principal Sayd é um jovem palestino que teve o pai assassinado por ter colaborado com Israel, fator que institui um problema de pertencimento no cerne da construção de sua identidade.&lt;br /&gt;A que mundo Sayd pertence? A Israel? ao mundo Ocidental, ao qual seu pai serviu e do qual veio a francesa por quem está apaixonado? Ou ao país em que nasceu? O mundo de sua mãe e de seu amigo de infância Khaled que, ao contrário dele, não tem dúvidas quanto a nobreza da missão que foi designado a cumprir?Atravessar ou não o muro? Detonar ou não a bomba? Escolher Deus ou o Homem? Pois é, precisamente, disso que se trata.Porque uma coisa é acreditar em Deus, mas outra, totalmente diferente, é invalidar o Homem. E até que ponto é permitido a alguém acreditar em Deus em um mundo que precisa de quem consuma carros, moda, coca-cola e, em suma, todas as coisas que foi o Homem e não Deus quem fez?&lt;br /&gt;Paradise Now é, antes de qualquer coisa, um filme sobre os conflitos de identidade de um grupo de indivíduos que não sabe mais se deve acreditar em Deus ou no Homem. Pois quando se sabe o que existe do outro lado do muro, há sempre a chance de optar. E a verdade é que sempre se sabe, de uma forma ou de outra.&lt;br /&gt;É muito provável que, no momento, muitos palestinos, cisjordanos, libaneses estejam vivendo sob esse conflito. Colocar essa questão é o maior dos méritos desse grande filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-976543170409994243?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/976543170409994243/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/02/paraiso-agora.html#comment-form' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/976543170409994243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/976543170409994243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/02/paraiso-agora.html' title='Paraíso agora'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SaWV9l24FvI/AAAAAAAAAGc/0XNTfNTnU6U/s72-c/paradise20now1yk.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2729902514167845655.post-4190631304405846976</id><published>2009-02-25T10:21:00.000-08:00</published><updated>2009-02-25T11:50:37.418-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sistema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crise de paradigma'/><title type='text'>A queda do muro e a crise dos paradigmas: o "sistema" e o "Homem de ferro"</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SaWg7kAAdhI/AAAAAAAAAGk/X83MZk5qy8E/s1600-h/homem-de-ferro-poster06.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306824681062430226" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 135px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SaWg7kAAdhI/AAAAAAAAAGk/X83MZk5qy8E/s200/homem-de-ferro-poster06.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;De quem é culpa de você estar doente e não poder ser atendido em nenhum hospital, do ar poluído que você está respirando, da água no seu planeta estar acabando, do seu celular parar de funcionar de repente, da sua conta de luz vir superfaturada, de você não poder andar pela cidade sem medo de ser assaltado, da polícia do seu país ser corrupta, de você passar horas no seu dia enfiado num trânsito, das guerras civis e doenças na África, do terrorismo estar se espalhando pelo mundo, dos alimentos que você come serem cancerígenos, de você não ter mais emprego?&lt;br /&gt;Meu pai caiu na luta armada para brigar contra a ditadura que se instalou no Brasil em 1964. Havia um vilão muito claro: a direita, os militares, os americanos ganhando dinheiro com a venda das armas em cima do terceiro mundo. Havia o pensamento de esquerda, os entusiastas do comunismo, do socialismo, de Fidel, de Che. Era tudo uma questão de ser ou não ser capitalista. Podia não se ser capitalista.&lt;br /&gt;Mas o muro de Berlim caiu, o socialismo se desmantelou, as ditaduras foram quase todas derrubadas. Não há mais como se responder de que lado se está, porque não há mais lados. Há o “sistema”. E ou se está dentro dele. Ou dentro dele.Viver sem culpados, com certeza é mais difícil. E o “sistema” não tem culpados. Mas também não tem inocentes. Quando o homem de ferro percebeu que fabricar armas era algo terrível para a humanidade e resolveu fechar sua companhia, o Iraque já estava tomado de tanques e metralhadoras. Quando lhe exigiram explicações, ele responde da melhor forma possível: "Eu não sou a minha empresa".&lt;br /&gt;Mas o “sistema” tem lógica própria. E o homem pode desistir de sua empresa, mas isso não significa que ela vá parar de funcionar. Estar no “sistema” é não poder escolher lados, é não poder estar “fora”, é não poder fechar a empresa. É a crítica de Hollywood contra o capitalismo usando um herói de história em quadrinhos poder ser mais anti- “sistema” do que os manifestos contra a globalização, os jovens vestindo camiseta do Cheguevara e explodindo as fachadas dos bancos e McDonalds.&lt;br /&gt;Viver no “sistema” é uma tarefa difícil. Não temos ditadura para derrubar, não temos militar para xingar, xingamos a gravação da operadora de telefonia. E ela nunca revida. Mas faz você desistir de cancelar a sua conta. Vitória da empresa? Mas quem é a empresa? O capital não é aberto? Não são milhares de ações e milhares de donos? E as ações não estão nos bancos? E quem faz os bancos? E quem trabalha nele? E quem tem conta nele? E, no final as contas, você não continua com a sua conta no banco e a sua linha de celular? Você xingou, xingou, e, no final das contas, desistiu de cancelar sua conta.&lt;br /&gt;Em Condor, aquele documentário sobre as ditaduras na América Latina, um dos depoentes diz uma certa hora que o objetivo do regime, dos ditadores torturadores era “fazer você passar para o lado deles, era transformar você num colaborador”. O Capitalismo é um sistema de torturados. Porque só tem colaborador.&lt;br /&gt;Viver num mundo repleto de crimes sem autores é a angústia da minha geração. Eu já desisti de sair da cidade, de ir para o mato montar minha comunidade hippie, de ir viver de paz e amor e longe das relações de poder. Afinal, o muro de Berlim caiu e eu percebi que posso caminhar o quanto for que não vou achar o lado de lá.O melhor que podemos fazer é tentarmos entender o mundo que vivemos. Esse blog tem essa função. É para ser um espaço de discussão sobre o mundo, sobre toda e qualquer coisa, sem distinção, tudo e todos são bem-vindos, os de direita, os de esquerda, os simpatizantes de Che, os simpatizantes do homem de ferro, os verdes, os que desistiram de ir para a comunidade hippie, os que foram, mas que levaram seu laptop!&lt;br /&gt;Vamos tentar ser honestos, tentar parar de procurar os criminosos, tentar entender o ponto de vista do outro. Parar de fazer CPI, de chamar o cara de fascista só porque ele tocou na ferida. Ao invés disso, vamos tentar entender a ferida. Vamos tentar entender a nós mesmos. E o outro.&lt;br /&gt;Afinal, estamos juntos nessa, todo mundo faz parte do “sistema”. Talvez os índices de suicídio na Suécia diminuam quando o IDH do Sudão melhorar. Talvez haja menos homens bombas quando houver menos homens fardados. Não sabemos. Vamos olhar para o “sistema” para poder entendê-lo. E falar sobre ele aqui, nesse blog especialmente dedicado e ele.&lt;br /&gt;Acredito, dessa forma, estar combatendo as novas formas de ditaduras que ainda estão sem nome. Acredito, dessa forma, estar exercendo uma nova forma de cidadania, ainda não ensinada nas escolas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2729902514167845655-4190631304405846976?l=tropicaliapb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/feeds/4190631304405846976/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/02/queda-do-muro-e-crise-dos-paradigmas-o.html#comment-form' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/4190631304405846976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2729902514167845655/posts/default/4190631304405846976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://tropicaliapb.blogspot.com/2009/02/queda-do-muro-e-crise-dos-paradigmas-o.html' title='A queda do muro e a crise dos paradigmas: o &quot;sistema&quot; e o &quot;Homem de ferro&quot;'/><author><name>Armario Vivo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07512512511850222200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_pIl5mno0dOE/SaWg7kAAdhI/AAAAAAAAAGk/X83MZk5qy8E/s72-c/homem-de-ferro-poster06.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
